CARTA A IGREJA DE ÉFESO

 CARTA A IGREJA DE ÉFESO




E
screve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos.  E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus. (Ap 2:1-7)



O nome Éfeso significa “desejado”.  A cidade estava localizada no pequeno Continente da Ásia Menor em um local privilegiado. Dizia-se que “Éfeso ficava na encruzilhada do mundo”. Havia quatro grandes estradas que passavam pela cidade trazendo negociantes e mercadores das mais importantes províncias romanas. Os cidadãos de Éfeso eram muito avançados na cultura e desenvolvidos nas artes, dramas e urbanização. Podia-se dizer que era uma cidade livre. Pois era leal ao império Romano.  Historiadores afirmam que a cidade estava autorizada por Roma a ter governo próprio. Os efésios aparentavam gozar de certa liberdade, pois nenhuma opressão pairava sobre esta cidade, nem mesmo a poderosa guarnição romana.

Éfeso foi uma cidade grega antiga na costa de Jônia, foi construída no século X a.C. por colonos gregos jônicos. Durante a era grega clássica foi uma das doze cidades da Liga Jônica. A cidade floresceu depois que veio sob o controle da República de Roma em 129 a.C. Durante o período romano, foi por muitos anos a segunda maior cidade do Império Romano, apenas atrás de Roma, a capital do império. Tinha uma população de 250 000 habitantes no século I a.C., o que também fazia dela a segunda maior cidade do mundo na época.

Assim como Antioquia era muito influente em toda a região da Síria e também Alexandria no Egito, Éfeso era a grande capital da província romana da Ásia. Juntas formavam o grupo das três maiores cidades do litoral leste do Mar Mediterrâneo.

Entre os anos 1 e 4 d. C., durante o período de Cesar Augusto a cidade de Éfeso atingiu o seu auge, tornou-se a capital da província romana na Ásia, que hoje é a parte ocidental da Turquia. A cidade era possuidora de um destacado centro mercantil. Edificada a beira do Rio Caster, a cinco quilômetros do Mar Egeu, era possuidor de um importante porto marítimo. Embarcações marítimas chegavam e partiam trazendo e levando mercadorias que através do mediterrâneo eram distribuídas ao mundo todo.

Ao longo do tempo, a cidade foi dominada por diferentes impérios: os Romanos, os Jônios, os Lídios, e também os Persas. No entanto, conseguiu manter sempre a liberdade com um sistema de governo próprio.

Éfeso era também o centro do paganismo, da idolatria, da perversão sexual e da imoralidade.  Uma das sete maravilhas do mundo antigo está ali - o templo de Diana (At 19.28). Lugar de intensa idolatria. Nele, floresciam a prostituição, as bebedeiras e as orgias. Tais prazeres mundanos atraiam mercadores, negociantes e viajante ao templo de Diana. Esta “deusa” - Diana era a padroeira não só do imenso templo, mas também de toda a grande metrópole.  Fala-se que prostitutas, eunucos, dançarinas e cantores, praticavam suas orgias dentro desse templo sob a influência espiritual e atitudes sensuais de seus profetas e sacerdotes. No meio desse templo, Satanás possuía um trono.                                                               


A igreja de Éfeso foi fundada no ano 53 d.C., na viagem de retorno de Paulo a Jerusalém. Relatos na Bíblia indicam que os habitantes de Éfeso passaram a ouvir falar de Jesus a partir da segunda viagem missionária de Paulo (At 18.19). Foi então a partir daí que este povo pagão teve contato com a mensagem da salvação e com o cristianismo por meio dos serviços de evangelização do casal “Áquila e Priscila”. Paulo havia conhecido essa família na cidade de Corintos pelo motivo de também fabricarem tendas como sustento para suas sobrevivências. Paulo passou a morar e trabalhar com eles por cerca de vinte meses (At 18:3).
O livro de Atos conta que Paulo ficou em Corintos por vários dias; por fim, despedindo-se dos irmãos navegou para a Síria, levando em sua companhia Priscila e Áquila.  “E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áquila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto. E chegou a Éfeso, e deixou-os ali; mas ele, entrando na sinagoga, disputava com os judeus. E, rogando-lhe eles que ficasse por mais algum tempo, não conveio nisso. Antes se despediu deles, dizendo: É-me de todo preciso celebrar a solenidade que vem em Jerusalém; mas querendo Deus, outra vez voltarei a vós. E partiu de Éfeso.” (At 18:18-21).

            Paulo deixou estrategicamente o casal de amigos e companheiros de ministério, em Éfeso e rumou para uma viagem de vários meses até Jerusalém. Áquila e Priscila realizaram um grande trabalho de evangelização e permaneceram em Éfeso até o ano de 55. d.C. Depois partiram para Roma, e organizaram uma igreja na própria casa onde moravam, e novamente se encontraram com Paulo no inicio do ano 57 d.C. (Rm 16:3-5)

Outro fato importante para o inicio da igreja em Éfeso se dá aos esforços de um jovem orador cujo nome se chama Apolo (At 18:24-28).  Oriundo de Alexandria (Norte do Egito), Apolo era um pregador eloquente e com forte conhecimento nas Escrituras Sagradas, também possuía grande inclinação helenística.  Estava ele pregando com ousadia e conhecimentos no Senhor na sinagoga local Áquila e Priscila o ouviram e o convidaram para uma visita na casa deles e lhes explicaram com acerto e clareza o caminho de Deus (At18:26).
Apolo era um fervoroso pregador alexandrino, mas como quase toda a população, envolvido pelo forte pensamento helenístico que dominava aquela região e chegou a influenciar os próprios dominadores romanos. Apolo era como certas pessoas que fazem muitos com o pouco que recebem. Ele tinha apenas alguns conhecimentos básicos sobre a pessoa e a obra de Jesus, mas pregava com autoridade e poder do Espírito Santo. Todavia ainda aguardava a chegada do Messias e seu batismo baseava-se somente no arrependimento e mudança radical de comportamento, não na fé sobre a obra redentora – completa consumada e definida – do Senhor Jesus, o Messias. Por isso Áquila e Priscila o convidaram para um estudo bíblico mais detalhado em casa e puderam lhe esclarecer melhor.

Porém foi na terceira viagem do apóstolo Paulo que a igreja dos efésios viria realmente a florescer naquela cidade.  Com a chegada de Paulo houve numerosos batismos com o Espírito Santo, muitas conversões e curas divinas. Um forte avivamento sacudiu aos que creram no poder do evangelho através de Paulo.  E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam (At 19:11,12).




O preparo bíblico e teológico e a solidez da doutrina de Éfeso eram impressionantes e não havia igual. Esta igreja tinha como privilégio de ter como pastor, durante três anos, o maior teólogo do cristianismo (At 20.31). Por todo esse tempo, Paulo o apóstolo de Cristo ensinou a sã doutrina de Deus (At 20.27). Aqueles cristãos fortaleceram-se tremendamente na Palavra de Deus. Houve então muitas transformações de vidas. Grandes multidões se convertiam ao evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.
                                         
Além de Paulo, a igreja em Éfeso foi pastoreada também por Timóteo (1 Tm 1:3) e muitos outros . A Bíblia nos relata que certa ocasião Paulo manda chamar os líderes e anciões da igreja de Éfeso para uma reunião na cidade de Mileto (At 20:16-38). Estudiosos do assunto e biblistas afirmam com toda categoria que os obreiros que por lá passaram eram de comprovada excelência. É comentado que até o próprio apóstolo João, o discípulo amado, que supervisionou as igrejas da Ásia, que por certa ocasião também teria ocupado o púlpito dessa igreja, após a morte de Paulo. 
Sem dúvida Éfeso era considerada a mãe das igrejas da Ásia, e que provavelmente o apóstolo Paulo realizou ali um grande e magnífico trabalho missionário, talvez o de maior sucesso (54-57 d.C.).

A igreja em Éfeso possuía características marcantes; vejamos algumas: Obras; labor; Perseverança; não suportava homens maus; pôs à prova os que se declaravam apóstolos, e não eram, e foram achados em mentira; suportou provas por causa do nome do Senhor Jesus, e não esmoreceu; tinha ódio quanto às obras dos nicolaítas, porém abandonou o seu primeiro amor.  O amor primeiro dessa igreja havia se esfriado. Seriam as provas a ela submetidas? As perseguições da cidade e do império romano? O que teria causado o esfriamento dessa comunidade cristã? O que pode causar o esfriamento de uma igreja cristã hoje?  Sem dúvida que o esfriamento vem pela perda do primeiro amor. Mas quem, ou o que poderia tomar o lugar do “primeiro amor” do coração da noiva? 


AS LUTAS DOS CRISTÃOS EM ÉFESO

Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio” (Ap 2:6)

Um dos principais cuidados de Jesus, ao dirigir sua mensagem final às sete igrejas, foi preveni-las da apostasia por tolerar falsos mestres, profetas ou apóstolos, que distorciam a Palavra de Deus ou enfraqueciam seu poder e autoridade nas igrejas. Infelizmente estas coisas acontecem com frequência nos dias atuais. O desvio espiritual causa esfriamento no coração da igreja. Essa era a luta que a igreja de Éfeso tinha; combater as heresias espirituais.

O pr. Alexandre Araújo em seu estudo comenta que: “Em toda a Ásia Menor, não havia Igreja mais ativa, dinâmica e zelosa pela doutrina do que a Igreja de Éfeso. O seu preparo teológico era tão sólido, que o seu pastor capacitara-se, inclusive, a confrontar os que se diziam apóstolos (Ap 2.2). Éfeso era a igreja que se destacava pelo seu testemunho, esforço e extenuante trabalho pela expansão do Reino de Deus. Eles eram referência em toda aquela região. Apesar de todas as suas inegáveis virtudes e qualidades, havia um sério problema com Éfeso. Se ela, porém, se dispusesse a resolvê-lo seria uma igreja perfeita”. [1]

Então o que estava acontecendo com essa igreja? Apesar de sua máxima vigilância contra os falsos doutrinadores; Éfeso havia perdido o amor pelas pessoas e por Cristo. Seguiam a letra no pé da risca, mas não tinha mais paixão pelas almas perdidas. A igreja tornou-se fria e seca, sua mensagem não tocava mais os corações. Talvez pelas batalhas intensas contra esses tais nicolaítas; a igreja tornou-se sínica.

Como vemos aqui, a igreja odiava as obras dos nicolaítas, Jesus também odiava. Mas quem eram esses? O que ensinavam os nicolaítas?  Os nicolaítas são mencionados somente aqui e na carta à igreja em Pérgamo.  Não sabemos a natureza precisa do seu erro, mas sabemos que era abominável a Deus. Mas apresento aqui um pequeno estudo do provável movimento deste grupo.
  

QUEM ERAM OS TAIS NICOLAÍTAS?

“Esta era uma heresia que se formava já no fim da era apostólica, com os falsos mestres deturpando a Pureza da Doutrina de Cristo e seus Apóstolos. A doutrina nicolaíta concebeu a ideia de uma casta especial e superior na Igreja, ou seja, o chamado Clero. Indo além, formou-se a ideia de uma hierarquia eclesiástica dentro deste mesmo clero. Há uma grande probabilidade, lógica e historicamente, de que estes nicolaítas, dos quais muito pouco se sabe, sejam os formadores do pensamento Católico Romano e, portanto, seus antecessores. Eles estavam no final do séc. I, infiltrados nas igrejas de Cristo como podemos ver no texto base. Evidentemente, este desejo de exercer poder sobre o povo, disseminou entre muitos homens de liderança nas igrejas, movido pelo instinto carnal de domínio, pela soberba e pela torpe ganância de posição e riquezas. Especialmente entre os pastores das grandes igrejas, nos grandes centros, com congregações numerosas, tornava-se uma tentação estabelecer uma ostentação de poder sobre o rebanho e outros pastores de rebanhos menores. (...). É claro que, com o apoio de Constantino (no começo do séc. IV) definitivamente o Bispo de Roma conquistou esta supremacia. Não fora o Nicolaísmo, não existiria o erro de uma igreja universal, com sede em algum lugar. Nem mesmo a primeira Igreja, formada por Jesus pessoalmente, em Jerusalém, tinha autoridade sobre as demais. Veja em Atos 15, a postura da Igreja de Jerusalém com relação a Antioquia, como mãe que exorta a seu filho independente num momento de necessidade, mas não considera justo lhe impor nada.
Observe-se, ainda, o próprio falar dos Apóstolos Pedro e Tiago (que estavam em Jerusalém e não em Roma), como não exercem eles domínio sobre a Igreja, mas servem como conselheiros junto a Ela e com o Espírito Santo. (...) Nicolaítas, não são, portanto, como muitos pensaram, seguidores de um ‘tal Nicolau’, nem do papai Noel (São Nicolau), mas os partidários da ideia de uma hierarquia dominante dentro da Igreja. Esta heresia tem influenciado o pensamento de muitos religiosos que pensam galgar degraus na escada da Fama, Fortuna e Força. Por isto, alguns pobres infelizes ‘querem ser pastores’, sem a chamada Divina; pastores buscam popularidade e posição em organizações; trocam de igreja em busca simplesmente de uma maior ou que pague mais, sem convicção da vontade de Deus; pastores disputam posições e até brigam por isto. Mas não deve ser assim nas Igrejas de Cristo! “Em Marcos 10.42-44 podemos ver claramente o Seu ensino de que o Grande é o que serve e não o que manda (vv.23,25 e 28)”. Nós devemos fazer a mesma coisa, combater a heresia; porém nunca cabem a nós o julgamento de tais pessoas, igrejas, pastores e líderes. Todo o julgamento vem de Deus. [2]

A igreja em Éfeso além de combater a doutrina dos nicolaítas também não suportavam os homens maus.
Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos.” (V.2:2)
                                 
A igreja contemporânea precisa do mesmo zelo da verdade que havia na comunidade de Éfeso. Precisamos combater e tirar a prova àqueles que se dizem profetas e apóstolos. Devem ser avaliadas conforme a palavra de Deus. Muitas pessoas que alegam trazer novas revelações são mentirosas. ”Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.  Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.” (Gl 1:8-9).

Assim como em Éfeso muitos hoje defendem sua teologia, sua fé, suas convicções e costumes e até sofrem por essas convicções, mas não se deleitam mais em Deus. O amor por Jesus está sendo substituído pelo zelo religioso, por falsas revelações ou por meros interesses pessoais. A afeição por Jesus já não existe mais. Em muitas igrejas já não se faz mais as coisas com um coração puro, olhando para Cristo, mas sim olhando para as finanças.  O verdadeiro amor se esfriou; o primeiro amor já é coisa do passado. Que tristeza!



O problema na igreja de Éfeso não foi a questão de doutrina nem do trabalho evangelístico que estavam fazendo, nem da vigilância contra os falsos pregadores. O problema da igreja de Éfeso foi à questão do amor, o abandono do primeiro amor.  A liderança dessa igreja esqueceu-se do grande mandamento que deve ser à base de todo o cristianismo: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12:30,31). Aqui está a base sólida para toda a prática cristã. É isso que a igreja deve ser e fazer.

Todo o alicerce da igreja deve estar apoiado em cima desse fundamento: “Amar a Deus com todo vosso entendimento, forças e coração”. Porém só isso não basta; com esse mesmo esforço e entendimento também devemos amar de todo o coração o nosso próximo. Quem é nosso próximo?  Tenho o entendimento que o nosso próximo vai além das paredes da congregação. O nosso próximo também está nas casas de prostituição, nos pontos de drogas, nos bares, nos lares destruídos, nos lugares devastados pela miséria e fome.

A igreja esqueceu seu papel: “Amar o pequenino, a viúva, o pobre e o enfermo”.  
Sinto tristeza em minha alma quando observo centenas de pastores e igrejas gastando milhões de dinheiro com televisão, brigando entre si, colocando no ar programas ridículos, vazios de Deus, que atraem pessoas só para si, não para o Reino. Apóstolos, bispos e pastores gastando o dinheiro dos dízimos e ofertas com jatinhos, carrão importado, grandes mansões, iates, fazendas, faculdade no exterior para os filhos, etc. Em que esquina da vida se perdeu o primeiro amor? 

Voltando a Éfeso; o Pr. Silas Alves Figueira comenta que: “Esta igreja tinha por volta de quarenta anos quando João recebeu a revelação de Jesus. Outra geração havia surgido e esta não havia experimentado o entusiasmo intenso, a espontaneidade e o ardor que havia revelado os pais quando tiveram o primeiro contato com o evangelho. Não apenas isso, mas faltava à atual geração a devoção a Cristo. A igreja de Éfeso tornou-se farisaica, pois ela deixou de herança o zelo pela Palavra, mas como se fosse uma lei, mas não deixou de herança o amor que é o vínculo da perfeição. A igreja havia abandonado o seu primeiro amor. O problema da igreja de Éfeso é, com certeza, o problema da maioria das igrejas de hoje: fazer as coisas sem solidariedade amorosa.” [3] 

Quando abandonamos o primeiro amor, significa que abrimos mão de algo e elegemos outras coisas em seu lugar. Quando fazemos as coisas por fazer, por causa da instituição ou da denominação, pela sedução do crescimento numérico da igreja, pela fama e pelo status que se obterão na cidade ou coisas do tipo, essas são provas evidentes de que nossas motivações são impuras e estão prostituídas, comenta Jorge Henrique Barros.

Todos sabem as armas que destroem o primeiro amor: A soberba; o orgulho; a ganância; os olhos altivos; a impiedade; a mentira, etc. Todas essas coisas nos afastam do primeiro amor. O perigo disso tudo é que passamos a amar mais a obra de Deus do que o Deus da obra.
                                                            


A ADVERTENCIA PARA OS CRISTÃOS EFÉSIOS

A presença radiante de Cristo na igreja ilumina todos os corações. O Salmista assim expressa: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119:105).

Jesus conhecia com exatidão a igreja de Éfeso. Ele sabia das obras dessa igreja, do trabalho; da paciência e que não poderia sofrer os maus e que os anciões dessa igreja colocavam à prova aqueles que se diziam apóstolos e que não eram e eram declarados pelos líderes como mentirosos. Jesus viu o sofrimento dessa igreja por causa dos homens maus. Jesus também reconheceu que eles trabalharam furtivamente e não se cansaram para que o evangelho não fosse distorcido por Satanás. Que maravilhoso! Mas algo entristecia o coração do Noivo.

Devido a tão grandes lutas e desafios e com o passar do tempo; a igreja tornou-se indiferente quanto ao amor maior.  Jesus então disse: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor (v4).” Ele elogia essa igreja pelo seu esforço, mas também repreende pelo seu erro. 

Muitos dos fundadores dessa igreja já haviam morrido há alguns tempos. As maiorias das pessoas que congregavam ali eram da segunda geração, não conheceram Paulo, nem Apólo, nem Áquilas e sua esposa Priscila. Essa segunda geração havia perdido seu zelo por Jesus. Essa igreja agora era uma igreja que tinha crescido e se tornado famosa por toda a Ásia.  Era uma igreja muito ocupada. Seus membros faziam muito em benefício próprio e da comunidade, mas estavam agindo de acordo com motivos errados. Não havia mais amor mutuo e nem o perdão pelos irmãos. Jesus então pede para a igreja lembrar-se de onde caiu e se arrepender e novamente praticar as primeiras obras. Que obras são essas? As obras do Espirito. “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gálatas 5:22).

O remetente da carta afirma que rejeitará todo aquele que não se arrepender de sua falta de amor e obediência á Ele; ao evangelho e ao próximo.  Devemos entender que essa advertência se estende além da igreja de Éfeso; Jesus adverte a todos nós.

A igreja é advertida ao arrependimento, quer dizer que deveria transformar os pensamentos e as ações. Todo pensamento e atitude de: ódio, rancor, orgulho, soberba, opulência, falsidade; teria de ser extraído do corpo da igreja e dar lugar ao amor e ao perdão. Caso essa “conversão” não viesse a acontecer, então Jesus tiraria o castiçal do lugar. Isso significa que a igreja teria deixado de ser efetiva. Assim, como os castiçais do Templo produziam iluminação para o ambiente, a igreja deve produzir luz para as comunidades em sua volta.

Como Noiva apaixonada devemos ser eternos e praticantes impar do amor de Cristo. “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” (I Cor 13:1)
                                                         



É impossível haver cristianismo se não houver o amor.  Mas a igreja em Éfeso Embora rica em obras se esqueceu de que o amor ao próximo e a Deus é a mais elevada de todas as obras. A base de todo cristianismo é o amor verdadeiro, sincero e duradouro. Um amor que se renova a cada amanhecer.

A igreja também deve lembrar que a “Noiva” apaixonada sempre espera com paciência a vinda do Noivo.  A Igreja não deve esquecer a promessa que Cristo fez: “Eu voltarei”.  Esquecer o primeiro amor é queda espiritual; urgentemente devemos voltar ao primeiro amor.

Jesus dá alguns conselhos para a igreja de Éfeso; Lembrar-se de onde caiu; arrepender-se e voltar a prática das primeiras obras.
Se a pessoa já não ama a Cristo como antes então se deve refletir e esforçar-se a prática da caridade e amor. Voltar ao primeiro amor não significa voltar à imaturidade espiritual, mas o ardor do início de nossa fé. Lembre-se de onde caiu. Volte imediatamente ao primeiro amor. Peça ao Pai misericordioso que o reconduza à sala do refrigério, da comunhão e intimidade com ele.

Quando decidimos deixar o pecado e fizer a vontade de Deus, nós nos arrependemos. A igreja onde o amor esfriou precisa de arrependimento. Se não devotarmos a Cristo o primeiro amor, como haveremos de ansiar por sua volta? Talvez, o anjo de Éfeso já não almejasse o retorno do Senhor Jesus. O ativismo acabara por matar o primeiro amor e o segundo também. Era urgente e necessário, pois não somente amar a Cristo como antes, como também amar a sua vinda como nunca.

            A igreja em Éfeso precisava voltar à prática do amor. Era uma igreja rica em obras e pobre em amor. Não é diferente de muitas igrejas de hoje. Nenhuma obra é completa e perfeita sem o amor. Amar é a mais elevada das obras. Não há obra tão elevada como amar a Deus: ”Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Dt 6.5).

Você ainda ama o Cristo como Ele tem de ser amado? Ou será necessário que o próprio Senhor pergunte-lhe: “amas-me mais do que estes”? (Jo 21.15). Precisamos praticar a intimidade com Ele, precisamos nos reder ao Pai novamente, sentir a paixão desenfreada por Cristo. Isso é voltar á prática das primeiras obras.

A Chama do primeiro amor deve arder constantemente dentro de nós. A lâmpada nunca deve apagar. Entendo que é necessário fazermos a obra de Deus. Mas Deus deve ser amado mais do que a obra. Se você ou a igreja não conseguir amar a Deus e o próximo mais do que ama a obra, então se deve tomar cuidado porque já se tornou puro egoísmo e está se buscando reconhecimento dos feitos aqui e agora.



A RECOMPENSA OFERECIDA POR CRISTO

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus” (v.7).

Cada um receberá segundo o bem ou o mal que tiver feito. Mesmo que seus motivos sejam sinceros, e mesmo que aquilo que está sendo feito seja correto, tem te haver a aprovação divina. Seremos vitoriosos se primeiramente crermos em Cristo, segui-lo e ser fiel à sua palavra.  Os vencedores são aqueles que perseveram no amor; que, mediante a graça de Deus recebida através da fé em Cristo, experimentaram o novo nascimento e permanecem constantes na vitória sobre o pecado, o mundo e Satanás; são para esses a recompensa. Aqueles que desistem, abandonando para sempre o seu amor, não receberão o galardão.

Existiam duas arvores no jardim do Édem – a árvore da vida e a árvore da ciência do bem e do mal (ver Gn 2.9). Comer da árvore da vida traria a vida eterna com Deus, e comer da árvore da ciência traria o entendimento do bem e do mal.. Quando Adão e Eva comeram da árvore da ciência do bem e do mal, desobedeceram a ordem divina. Portanto, foram expulsos do Édem e proibidos de comer da árvore da vida. No final, o mal será destruído e os crentes serão conduzidos a um paraíso restaurado. Na nova terra, todos comerão da árvore da vida e viverão eternamente.




Éfeso representa a Igreja entre os anos 30 a 100 da Era contemporânea. Este foi o primeiro período  da história do cristianismo. Corresponde à época dos apóstolos. Dedicavam-se à sã doutrina de Cristo. Um cristianismo puro, fervoroso e cheio de amor. Mas que se esfriou com o tempo. Éfeso representa os cristãos e as igrejas que se esfriaram na fé em Jesus.  Uma igreja que perdeu a direção passou a desobedecer a Deus não fazendo Sua vontade. 

Por muito tempo Éfeso se manteve em pé; Deus estava-lhe dando uma oportunidade para arrependimento.

            A História nos conta que a cidade foi destruída em 263 d.C. pelos godos, uma tribo germânica e, apesar de ter sido reconstruída, começa a entrar em declínio e a partir do 430, a cidade entrou em período de declínio, devido a surtos descontrolados de malária. Suas excelentes esculturas foram removidas para outros lugares, principalmente para Constantinopla. No ano de 614, a cidade foi parcialmente destruída por um terremoto. Entre 630 e 640 d.C. Éfeso caiu nas mãos dos turcos que retiraram dali os habitantes que ali restaram. A cidade mesmo foi destruída em 1403 d.C. por Timur-Lenk.

A importância da cidade como um centro comercial declinou conforme o porto foi lentamente perdendo sua profundidade devido ao acumulo de areia no leito impedindo a atracações das embarcações maiores. Hoje seu porto marítimo é um pantanal coberto de juncos e está em ruínas. Tanto a igreja como a cidade foram destruídas; a única coisa que restou foi um lugar que hoje é chamado de  “Adscha Solcuk” surgido de “Hagios Theologos”, que quer dizer “santo teólogo”, lembrando o apóstolo João, “o teólogo”, que teria sido sepultado lá ironicamente em honra a memória de João e não de Éfeso. Existem bem poucos moradores neste local e todos são da fé islâmica.




Vamos compreender melhor o significado do primeiro amor quando se trata da Noiva de Cristo. Na verdade é um pouco difícil definir o que realmente podemos chamar de “primeiro amor”. Para mim, é a constante alegria de se estar salva por Cristo; e é essa alegria que nos impulsiona a declarar toda nossa afeição a Deus. O Salmista Davi depois de ser confrontado pelo profeta Natã, reconhece seu pecado de adultério com Bate-Seba e arrependido assim declara: - “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” (Salmos 51:12).

Quão maravilhoso é o arrependimento de um coração que se converteu ao Senhor. Davi concluiu que seu maior desejo na vida é reconquistar a santidade por meio da purificação que vem do Senhor. Só assim podemos alcançar e usufruir da verdadeira alegria, essa alegria não vem através da educação pessoal ou da situação financeira de cada um, mas vem através de um novo coração gerado em nós por Jesus Cristo. Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (I Pedro 1:23).

Que maravilhoso é quando apaixonados por Cristo, permitimos ser tocados por Sua palavra e transformados por um novo coração.

Um coração lavado, remido e transformado por Jesus Cristo tem o poder do “primeiro amor”. Que poder é esse? O poder de depender única e exclusivamente de Jesus Cristo através da fé. O poder de se levantar depois de uma queda; o poder de dar a outra face; o poder do amor ao próximo, de dar sem receber. Tudo isso e muito mais se torna gratificante quando somos consumidos pela paixão do primeiro amor. É isso que a igreja deve ser; viver e pregar; somos a Noiva de Cristo, pertencemos a ele; vivamos para Ele.     

A presença de Jesus em nós deve ser o motivo de toda alegria, nada deverá tirar a verdadeira alegria de servir e sentir a Sua presença.  “O profeta Habacuque aprendeu a depender diariamente de Deus mediante a uma fé confiante e inabalável, a confiar nas promessas e Providência Divina em relação a todas as circunstâncias e vicissitudes da vida . Declara que, mesmo que Yahweh enviasse sofrimento e perdas, ainda se regozijaria no Deus  Salvador”.

O Primeiro Amor faz com que o Profeta Habacuque declare sua confiança e lealdade á Deus Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17,18).

Quando nada mais fizer sentido, e as dificuldades parecerem maiores do que você pode suportar, lembre-se de que o Senhor é aquele que nos dá forças para prosseguir. O poder de seguirmos adiante vem do verdadeiro Amor. Tudo que fizermos tem que ser por uma única razão: O Amor de Cristo em nós deve ser o motivo genuíno do nosso esforço, das lutas e conquistas. Jesus deve ser a razão do nosso viver. Se a igreja não estiver mergulhada nesse amor, então é melhor fechar as portas. Se a igreja não atrair as pessoas para Cristo, então é uma falsa igreja, seus líderes são salteadores seu pastor não passa de um mercenário.

O primeiro amor não deve ser confundido com o amor à primeira vista ou uma simples paixão, ou então, uma atração, que de repente sem avisar, se evapora.   No primeiro amor tudo é novidade, lindo e maravilhoso sempre! Não há defeitos, censuras ou críticas. O tempo não pode apagar a chama do amor perfeito. Nem as adversidades, nem os ventos contrários; nada pode enfraquecer as forças de um grande amor. Temos um exemplo no livro de Cantares; a intensidade do amor entre o Noivo com a Sulamita nunca diminuiu. Havia confiança mutua entre os conjugues, não tinham segredo um para o outro.  O livro de Cantares é uma alegoria do amor de Cristo por sua igreja.

Jesus nos amou primeiro, se entregou por sua igreja, deu sua vida por cada um de nós; mas como diz o profeta Isaias: “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Isaías 53:3). 

Cristo fez tudo por nós, se humilhou, se entregou por amor à sua igreja. Infelizmente a igreja contemporânea esqueceu o seu Noivo. Hoje não se houve mais as mensagens que lembra a volta de Cristo. A Noiva se tornou fria, insensível, adultera; a Noiva perdeu seu amor pelo Noivo. A igreja está distante, preocupada somente em encher seus bancos gelados.

Os pastores preocupados em construírem seus “impérios”, grandes e magníficos templos, igrejas cheias de gente, porém vazias de Deus.   “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Isaías 29:13). 

Quantas adorações fingidas, profissionais de púlpitos opulentos, líderes mercenários que amam a si próprio e ao dinheiro, negociantes de almas, desobedientes e falsos.  Muitos se tornaram adoradores da religião e não de Jesus. Em muitas igrejas a religião tornou-se uma rotina. A igreja que deveria ser de Cristo e esperar a Sua volta se tornou rotineira quanto à adoração e tornou-se negligente quanto ao amor e devoção ao Noivo.

Devemos ser obediente e adorá-lo com sinceridade e honestidade no coração. Devemos cultivar o amor pelos irmãos afinal somos o corpo de Cristo. Uma igreja apaixonada ainda ora, sempre adora em espírito e em verdade. Uma igreja apaixonada não faz negócio com o pecado, não faz aliança com o mundo, uma igreja apaixonada é sofredora por amor ao verdadeiro evangelho.  Como igreja, somos a Noiva de Cristo e Ele virá, pode ter certeza, acreditem ou não, Jesus voltará.

Trecho do livro "As Sete Cartas do Apocalipse"

Pr. Antonio Lourenço - Bacharel em teologia pela UNIASSELVI



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